15 de outubro de 2020

Paraty Educar e Acolher

O projeto Paraty Educar e Acolher possui uma abordagem de atendimento inovadora, com amplo envolvimento de diversos atores da rede de proteção dos direitos da criança e do adolescente de modo a propiciar a inclusão sociocultural, esportiva e educacional para crianças e adolescentes em maior vulnerabilidade no município. Ao promover uma rotina protetiva e saudável, enfrentará a maior vulnerabilidade deste público identificada no diagnóstico realizado pelo CMDCA e com evidências reforçadas em estudo conduzido pelo Instituto Igarapé acerca da violência no município: a falta de vínculos (ou o vínculo frágil) de crianças e adolescentes com espaços educativos (a começar pela escola) e de formação sociocultural os tornam mais vulneráveis aos eventos de violência.

O Instituto Colibri, instituição escolhida pelo CMDCA como proponente, realiza desde 2015 um programa de ações, integradas a Rede de Proteção de: busca ativa, atendimento psicossocial para adolescentes famílias encaminhadas pelo Conselho Tutelar, CREAS, CRAS, Judiciária e Casa Abrigo. Este programa (Meu Rumo) vem alcançando resultados positivos e demonstrando que é possível com dedicação e uma equipe especializada trazer de volta este adolescente para uma rotina saudável. O projeto Paraty Educar e Acolher possibilitará a continuidade deste programa e a inclusão das crianças entre os beneficiários das atividades socioculturais, educacionais e esportivas.

A partir de informações sociais das instituições de assistência social e educação e da busca ativa promovida por assistentes sociais e psicólogos, o projeto atuará na identificação das crianças e jovens, filhos de famílias que habitam os bairros de maior índice de violência, para promover o acesso a esporte, cultura, lazer e reforço escolar. Com uma grade de atividades de interesse, discutido e acordado com cada família, criaremos uma rotina mais protetiva e saudável. Crianças e adolescente que estão matriculados e frequentando a escola pública receberão orientação vocacional e o conhecimento mais empírico das atividades culturais, esportivas e produtivas realizadas no município, de acordo com a sua faixa de idade. Para tanto, contaremos com uma equipe de profissionais qualificados e investiremos na construção de uma rede de apoio de instituições e voluntários, que possam facilitar o acesso destas crianças e adolescentes a espaços e rotinas de atividades que representem foco de interesse e motivação.

Em relação aos que já evadiram da escola, serão o foco do grupo de busca ativa, formado por psicóloga e assistente social, que realizarão, de início, a avaliação e o diagnóstico da situação atual de cada um. Estes receberão apoio de acompanhamento psicológico, para retornarem aos estudos, tirarem seus documentos, assim como oferta de atividades culturais e esportivas e estágios profissionalizantes, conforme a faixa de idade. O projeto atuará junto às famílias, inserindo os familiares nas discussões sobre o reconhecimento dos fatores de vulnerabilidade de cada adolescente e auxiliando no acesso a programas e benefícios sociais, na garantia de direitos. Para os casos em que se reconhece uma maior vulnerabilidade, até mesmo com direitos já violados, o atendimento, ainda que atue com dinâmicas em grupos, focará na atenção individualizada. Desta forma, serão identificados distintos fatores de violações, demandando estratégias diferentes de abordagem e de mediação. Ou seja, o projeto atuará na reparação de danos de adolescentes e crianças que tiveram direitos violados, e na prevenção daqueles que estão em maior risco de evasão escolar.

O Paraty Educar e Acolher vem com o objetivo de fortalecer a Rede de Proteção existente, por meio de um trabalho organizado em rede, criando uma sinergia de uma cidade educadora. Neste sentido, atuaremos em parcerias com as escolas, fortalecendo-as como espaços públicos privilegiados para a integração, organização e lazer para grande parcela da população infanto-juvenil. Por isso, apoiaremos para que esteja aberta à população e, deste modo, firmar-se como um efetivo polo cultural.

O projeto privilegiará as ações nos cinco bairros apontados como os de maior vulnerabilidade, e onde há a maior ocorrência de violência cometida ou sofrida por crianças e ou adolescentes, segundo dados do Conselho Tutelar: Ilha das Cobras, Mangueira, Condado, Pantanal, Corisco e parte da Zona Rural e Zona Costeira.

Ademais, o projeto ainda contempla a formação continuada das instituições públicas e privadas do terceiro setor participantes para que possam exercer com eficiência suas tarefas, qualificando o diálogo entre os segmentos.

Este projeto foi contemplado no Edital Itaú Social em 2019.